segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O outro lado (Chapter III of her trilogy)



 Quando uma história tem dois lados, ao nos colocarmos do outro lado da situação será que estamos realmente tendo a visão que pensamos ter? Ou o outro lado será sempre o outro, e nunca aquele de onde estamos olhando?
 Com um misto de dúvidas e incertezas, foco agora minha atenção no outro. Apenas por pensar se ela não estaria precisando justamente de um apoio, mas por algum motivo não pudesse demonstrar ou libertar esse seu desejo. Desejo de ser e de estar, não somente de se amar. E para que nada se perca e nem deixe de existir por falta de ação ou atenção, volto meus olhos à ti novamente.
 E ao ser você dentro de mim, a sinto me olhando com curiosidade e atenção, mas também com um certo medo ao esconder suas atitudes. E mesmo se sente algum desejo por mim, não vejo aquele fogo ardente. Você realmente não me enxerga como o companheiro perfeito, e o motivo é a minha total incapacidade de ser tão evoluído, responsável, e o homem de sucesso que você merece ter ao seu lado.
 Percebendo que você tem os seus sonhos de amor, seus desejos românticos e suas próprias paixões, rendo-me então ao que já recebo tão generosamente de ti, pois nada mais me cabe além do que me vem de ti naturalmente. E nem devo ‘implorar’ nenhuma forma de convivência entre nós além da que já temos, visto que - mesmo que forçada por mim - já obtive sua resposta.
 No horizonte vejo dias de sol a brilhar, com previsão de poucas nuvens e lamentações. Se a chuva ainda cai agora e lava minh ‘alma, é pra me mostrar que tudo se renova e tem uma chance de se recriar. Pois agora vejo a luz do verão de minha vida, e ela irá iluminar de vez o meu caminho logo que eu esteja pronto.
 Por isso tudo, mais uma vez lhe agradeço por TODOS os ensinamentos que você me proporciona. Brevemente a veremos brilhar tão intensamente quanto você merece, pois o reconhecimento pelo seu talento não vem só de mim, e ele é claro aos olhos de todos. Que sua luta de hoje possa se transformar numa linda e feliz história de vida, expandindo assim a sua luz e o seu dom para todos os lados.

domingo, 17 de novembro de 2013

Praticar o desapego para não agonizar num mar de solidão



 Pensando, pensando...  refletindo profundamente sobre o que realmente estava sentindo, concluí que não era uma visão deturpada de algum sentimento superficial que poderia estar me acometendo. Não era uma coisa qualquer, definitivamente. E certo disso, fui à fundo tentando buscar forças para entender este sentimento sem me ferir, e principalmente não ferir os da outra pessoa. Me esforcei em tentar ser polido, econômico, educado, simpático e sincero, posto que se tratava de algo de  valor tão estimado, mas como só tenho a visão deste lado, não saberia dizer se consegui obter sucesso neste intento.
 O sentimento real de amor por outra pessoa não pode ser confundido com uma simples vontade do outro, nem com uma necessidade de se completar ou de realizar seus desejos e sonhos ao lado da outra pessoa. Quando nos deparamos com ele, ficamos realmente perdidos por um instante, e começamos a nos perguntar se é permitido senti-lo. Desconfiamos se mais alguém percebeu o que está se passando dentro da gente, nos questionamos se seremos aceitos, se ele é palpável, e se a possibilidade da sua materialização existe em relação ao outro.
 Enviamos mensagens, recebemos respostas, mas algo ainda fica por ser respondido devido à velocidade da comunicação instantânea de nossos dias, e pela falta de oportunidade de estarmos um com o outro. E assim, post a post, sigo navegando neste Cyberspace like a Gypsy Pirate em busca de meu tesouro, que não é feito de ouro e nem um pouco materialista, mas sim feito de amor correspondido, compartilhado e real.
 Nesses dias tenho me perguntado diariamente se não deveria praticar o desapego para não agonizar num mar de solidão. Deixar esse sentimento partir e navegar por outros mares, pois são tantas as diferenças, tantas as distâncias, que mesmo que alcançáveis, necessitariam muito mais do que uma simples vontade, ou uma abordagem perfeita para que viesse a nos juntar e nos tornar um, como dois.
 E eu aqui tenho todo o tempo pra lhe ouvir, e esse sentimento que precisa de respostas urgentes. Um sim, um não, um talvez... para descobrir então como lidar com essa esperança de ser realmente a sua metade e seguir ao seu lado nesta grande jornada. Delírio meu me deixar voar tão alto, visto que alcançar o céu ao seu lado deve ser para poucos. Porém, não há perfeição dentro desta realidade, apenas  a realização do sonho de voarmos juntos.
Ad infinitum

                                  Image: http://paulinajones.files.wordpress.com/2012/01/ad-infinitum.jpg?w=700&h=

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Desapaixonar-se


 Como faz pra não se apaixonar? Como não amar tamanha doçura e generosidade, seu sorriso largo e sua alegria contagiante? Não vejo respostas, apesar de já ter sido avisado de que deveria olhar-te apenas com olhos de amizade.
 Dentre as mais lindas flores, me encantou você. Não somente por sua beleza e o brilho de seus olhos, mas também por essa imensa força de viver e esse seu jeito simples de enxergar a vida. Tudo isso me fez pensar que o Amor tinha voltado para mim.
 Não me ensinaram a não sentir. Me mostraram padrões de comportamento social e disseram que eu devia segui-los. Mas e o meu sentimento? Pois este não é planejado, não tem parâmetros para ser medido nem mensurado, não é uma escolha. Desse mal não podem reclamar os insensíveis, pois à eles cabe apenas viver do que lhes dá a vida. E lhes basta apenas dizer sim ou não à uma escolha, pois nunca saberão verdadeiramente o que perderam ou conquistaram.
 Se fecharmos nossos olhos e formos sinceros, sabemos exatamente se gostamos ou não de alguém. O quanto gostamos talvez seja incerto, tampouco se teremos um futuro duradouro ao  seu lado, mas mesmo que seja uma relação impulsiva, platônica, instantânea, duradoura ou fugaz, em nosso íntimo saberemos se o que vivemos ali foi determinado pela emoção ou pela razão.
 Não quero aqui cobrar resposta alguma pros meus nem pros seus sentimentos, só preciso te fazer saber que o que se passa dentro de mim agora é extremamente forte e verdadeiro.
 E é dessas linhas tortas, brotando de dentro de um longo e tenebroso inverno em minha alma, que eu lhe pergunto: como me desapaixonar por você?  Pois se eu soubesse como se faz, escolheria te manter apenas como um sonho, um delírio sobre alguém que nunca vi nem nunca pude tocar. Mas não, o que sinto é real demais, é vivo, é sólido, é Amor puro.
 Terei de aprender a viver com ele guardado só pra mim se não vier de ti nenhum sinal, ou mesmo se ele vier na forma de uma negativa, mas tenha certeza de que não me arrependo por nenhuma lágrima derramada e nem por nenhum sentimento gerado nisso tudo, pois sei que a sinceridade é algo em comum entre nós, e desse modo, o destino estará se cumprindo.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Um pássaro brasileiro cantando como Mozart?


 * Este conteúdo foi originalmente publicado no blog Music Matters(link acima em inglês) pelo Professor em Cognição Musical da University of Amsterdam, Henkjan Honing. Por este motivo os hiperlinks neste texto são para páginas extrangeiras. Tradução em português by Google Translate, revisada by gYpsY PiRaTe.

 Cerca de uma semana atrás, o jornal holandês Volkskrant publicou um artigo com o título "Braziliaanse vogel zingt een mentiu van het niveau Mozart "('pássaro brasileiro canta uma canção com a qualidade de Mozart'). Vários amigos me enviam links através das redes sociais (Obrigado, continuem fazendo isso!) por causa do meu interesse naquilo que nos tornam animais musicais . Isto será mais uma nova e impressionante evidência? Ou mais um caso de antropomorfismo?
 Bem, vamos primeiro ouvir uma gravação da ave em discussão: O músico Uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada)

Youtube link video


 Muitos estudos sobre as origens da música preocupam-se com a questão do quê define a música. O canto dos pássaros pode ser considerado música? Na tentativa de responder a esta pergunta, é importante separar as noções de 'música' e 'musicalidade', com a musicalidade sendo definida como um natural e espontâneo traço do desenvolvimento, baseado e restrito ao nosso sistema cognitivo, e a música como um bem social e cultural construído com base nessa extrema musicalidade.
 No entanto, ainda é um desafio para demarcar precisamente o que compõe essa característica que chamamos de musicalidade. Quais são os mecanismos cognitivos que são essenciais para perceber, fazer e apreciar a música? Somente quando nós identificarmos esses mecanismos fundamentais é que estaremos na posição de ver como eles podem ter evoluído. Em outras palavras, o estudo da evolução da cognição musical é subordinada a uma caracterização dos mecanismos básicos que compõem a musicalidade.
 Outros estudos estão preocupados com o pensamento sobre a questão referente ao que nós compartilhamos com outros animais em termos de musicalidade. E, de fato, não importa o quanto gostaríamos que fosse diferente, nós estamos sendo constantemente lembrados de que temos mais semelhanças com animais não-humanos do que diferenças. No entanto, devemos ter cuidado em chamar de música o canto dos pássaros. Nós cometemos este erro com muita freqüência. Nós, os ouvintes humanos, percebemos sons emitidos por pássaros como música. Se estes outros animais também fazem isso não está claro. E isso faz um mundo de diferença. 

Uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada)
 O estudo mencionado cerca de uma semana atrás, no Volkskrant, foi publicado na Revista de Estudos Interdisciplinares (Journal of Interdisciplinary Studies), uma relativamente nova revista on-line que promove a colaboração entre a humanidade e as ciências (N.B. datado na Primavera de 2012). 
 Se você ler o jornal, verá que os autores também confirmam as descobertas anteriores que foram discutidas neste blog. Por exemplo, o estudo que apareceu no Comportamento Animal (Animal Behavior) (Araya-Salas, 2012) sobre o canto de um Uirapuru -veado, uma espécie pertencente à mesma família do Uirapuru músico. Nesse estudo o ecologista Marcelo Araya-Salas (New Mexico State University) mostra que a semelhança entre o canto do Uirapuru-verdadeiro e a música não é nada mais do que uma coincidência. No estudo de Doolittle & Brumm (2012) são relatados resultados semelhantes . Eles também concluem que isso é devido aos 'ouvintes humanos, a partir de de uma variedade de culturas musicais, estarem acostumadas a ouvir esses intervalos como molduras ou âncoras, e estamos assim propensos a perceber muitas passagens de canções do Uirapuru músico, não como uma série de notas disjuntas, mas como unidades musicais.' (& Doolittle Brumm, 2012:80). 
 Apesar da beleza do canto dos pássaros, é mais uma vez um exemplo de que quando chamamos alguma coisa de música, estamos projetando nossas próprias tendências. Nada errado com isso, absolutamente, mas é bom para a nossa compreensão.
 No entanto, a partir de uma perspectiva científica, uma forma de evitar essa armadilha comum é se concentrar na mais desafiadora questão: é música para eles? is it music to them? (cf. Honing, 2013). Mais sobre isso mais tarde ...


ResearchBlogging.orgDoolittle, E.  & Brumm, H. (2012). O Canto do Uirapuru: Consonant intervals and patterns in the song of the musician wren. Journal of Interdisciplinary Music Studies, 6 (1), 55-85. [online advance publication 15 October 2013]

 ResearchBlogging.orgAraya-Salas, M. (2012). Is birdsong music? Evaluating harmonic intervals in songs of a Neotropical songbird Animal Behaviour, 84 (2), 309-313. doi:10.1016/j.anbehav.2012.04.038


ResearchBlogging.orgHoning, H. (2013). Op zoek naar wat ons muzikale dieren maakt. Free iBook (voorpublicatie).


P.S. No contexto das discussões anteriores sobre os sistemas de afinação (por exemplo ver uma postagem mais antiga do blog): este estudo sugere que nós podemos realmente não ser tão sensíveis assim para a afinação como poderíamos pensar.